quinta-feira, 15 de setembro de 2011

E os bichos se transformam

Revista CHC | Edição e-os-bichos-se-transformam


Entenda o processo de metamorfose, pelo qual passam anfíbios e insetos
Por: Márcio Borges-Martins e Luciano de Azevedo Moura, Museu de Ciências Naturais, Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul.
Publicado em 15/10/2003 | Atualizado em 03/08/2010
E os bichos se transformam
(Ilustração: Ivan Zigg).
Sapo de contos de fadas não pode ver uma princesa que logo fica assanhado. A todo custo, quer ganhar sua beijoca. Tudo para mudar radicalmente e virar príncipe encantado! Quanto aos sapos da beira do rio... eles não ganham beijos de ninguém! Mas, também, se transformam! Dos girinos que eram no início da vida passam a sapos! E tudo neles muda: do corpo ao comportamento. Essa transformação, que ocorre com outros anfíbios e insetos, tem nome: me-ta-mor-fo-se!

Mal saiu do ovo, a tartaruga corre para o mar. Será que um dia ela volta a essa praia? Se tudo correr bem, sim: as tartarugas marinhas sempre retornam ao lugar onde nasceram para colocar seus ovos. Mas não espere vê-la chegar como saiu, isto é, pequena e leve. Ao voltar, ela estará mudada. Pode ser uma tartaruga com cerca de meia tonelada!

Frente a esse tartarugão, vale qualquer exclamação de espanto, menos dizer: "Quem te viu, quem te vê! Passou por uma metamorfose, hein?!". Pela seguinte razão: a palavra metamorfose significa "mudança", "transformação". Mas nem todas as transformações pelas quais um ser vivo passa são chamadas assim!

Alterações no tamanho e no peso, como as que acontecem com as tartarugas marinhas, não são metamorfoses. Apenas as mudanças mais abruptas, que ocorrem após os primeiros estágios de desenvolvimento e que envolvem transformações radicais em um ser vivo -- da estrutura ao comportamento -- recebem esse nome.

Para você ter uma idéia, alguns animais sofrem transformações tão profundas que alguém poderia ver dois bichos da mesma espécie, um jovem e outro adulto, e pensar que são de espécies diferentes! O que, sem dúvida, é uma metamorfose e tanto!

Anfíbios e insetos estão entre os mais conhecidos bichos que realizam metamorfose. Sapos, rãs e pererecas, por exemplo, passam por uma transformação extraordinária: seu corpo, seu comportamento e até a forma como esses animais se relacionam com o meio em que vivem passam por uma reestruturação.

Não que eles virem príncipes ao serem beijados por uma princesa. Mas a mudança é tão radical quanto a das fábulas. Afinal, os girinos são larvas de sapos, rãs ou pererecas e não se parecem em nada com os bichos que irão se tornar quando adultos!
E os bichos se transformam 2
A vida da rã começa como girino. Nessa fase, o bicho é aquático, não tem patas e, sim, cauda. Mas, ao fim dela, tudo muda. Patas surgem, a cauda encolhe, o animal busca o solo (fotos: Fabio Colombini).
Suas características comprovam isso: em geral, os girinos são aquáticos. Estão em riachos, lagos, poças ou na água acumulada em bromélias, um tipo de planta. Têm, acredite, algo em comum com os peixes. Sim, com peixes!!! Adaptados a viver na água, os girinos possuem, no corpo, estruturas semelhantes às desses animais, como brânquias, que retiram o oxigênio da água. Por meio dela, eles respiram!Ao contrário de sapos, rãs e pererecas, essas larvas também têm tronco arredondado, sem patas e uma cauda longa e achatada nos lados, que serve para nadar! Seu intestino é proporcionalmente muito comprido e enrolado. Para se alimentar, há espécies que raspam as pedras e o fundo em busca de algas. Outras filtram a água e, assim, obtêm plâncton -- organismos que vivem dispersos ali -- e algumas são carnívoras.

Por falar em comida, uma das grandes diferenças entre girinos, sapos, rãs e pererecas está na boca. Embora o formato dela varie com a alimentação e a espécie, muitos girinos têm um bico feito de queratina -- substância que forma as unhas -- com pequenos dentes.

Basta que a fase de girino chegue ao fim, porém, para que a larva pareça cada vez mais com o sapo, a rã ou a perereca que será no futuro! Nessa hora, diferentes tipos de hormônios -- substâncias especiais produzidas por glândulas ou tecidos -- entram em ação para controlar as mudanças. E são muitas que ocorrem!
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Cauda que encolhe, pata que cresce

Saiba passo-a-passo como a metamorfose acontece!
Por: Márcio Borges-Martins e Luciano de Azevedo Moura, Museu de Ciências Naturais, Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul.
Publicado em 15/10/2003 | Atualizado em 03/08/2010
O desenvolvimento de patas -- em geral, primeiro as traseiras -- é sinal óbvio de que a metamorfose está em andamento. Nesse período, várias estruturas do corpo do girino começam a sumir, enquanto outras aparecem. A cauda diminui pouco a pouco. O intestino se torna mais curto e se divide em regiões. Os pulmões se desenvolvem, as brânquias se atrofiam. A boca muda totalmente e o esqueleto é reestruturado. Patas dianteiras aparecem, a cauda continua a sumir e o anfíbio...

... Ele, que vivia só na água, se aventura no solo, agora como um sapinho. Uma nova etapa começa em sua vida! O anfíbio precisa assumir seus novos hábitos: cavar tocas -- pois é, quem diria: sapos cavam! --, escalar árvores, caçar insetos, cantar para atrair uma fêmea na beira da lagoa... Mas o período é crítico para quem está no meio da metamorfose! O animal está muito vulnerável! Afinal, um girino com patas não nada tão bem quanto um que não as tem, assim como um sapinho com cauda não pula longe. Os predadores, porém, estão em plena forma. Por isso, a metamorfose precisa ser rápida.

Além dos anfíbios, outros animais sofrem transformações fantásticas ao longo da vida. Por exemplo, a lagarta que come incansavelmente as folhas de uma planta do jardim em que você brinca. Essa comilona é a forma jovem da borboleta. Ela, que nem asas tem, vira um bicho capaz de voar graças à metamorfose!

A lagarta é a larva da borboleta e, quando sai do ovo, tem duas funções: comer e crescer. Por isso, ela não pode fazer regime! À medida que se alimenta, cresce e realiza mudas. Isto é, troca a camada externa do seu corpo para acompanhar seu crescimento.

Depois de crescer e se alimentar bastante, a lagarta transforma-se em pupa. Agora, ela não precisa mais comer e está protegida em um casulo, onde ficará por alguns dias ou vários meses, dependendo da espécie. Dali a borboleta sairá, ainda com o corpo mole e as asas amassadas. Mas, em questão de horas, seu corpo irá endurecer e ganhar cor, suas asas irão tomar forma e se fortalecer. E a borboleta, adulta, terá pela frente poucas semanas para cumprir sua missão: se reproduzir e pôr ovos.

Esse processo de transformação que acontece com a borboleta é chamado metamorfose completa. Ele é visto em outros insetos também, como besouros, moscas, abelhas e mariposas. Bichos como baratas, percevejos ou gafanhotos, por outro lado, realizam a chamada metamorfose incompleta.

Talvez você já tenha visto alguma barata ou algum gafanhoto que não voava. Esse inseto era incapaz de alçar vôo porque estava na fase jovem e suas asas não estavam desenvolvidas totalmente. Era uma ninfa. Isto é, uma forma imatura, mas parecida com o inseto adulto, que ocorre na metamorfose incompleta! Menores do que os adultos, as ninfas têm bocas e olhos semelhantes aos deles e a mesma alimentação.

A cada muda, as ninfas se tornam mais parecidas com os adultos. Para conferir, busque alguma no seu quintal! Se não houver uma lá, ainda há chance de você encontrar outro bicho passando por uma transformação digna de filmes de ficção científica!

Márcio Borges-Martins e
Luciano de Azevedo Moura,

Museu de Ciências Naturais,
Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul.

 
Características Principais:


Peso: 400 gramas (macho) e 1,5 kilos (fêmea);

Comprimento: Macho ( 12 cm aproximadamente) e fêmea (25 cm aproximadamente);

Reprodução: A fêmea põe 30 mil avos por ano (aproximadamente).


Fonte: http:// suapesquisa.com/ecologiasaude/anfibios/



Anfíbios
Representados por sapos, rãs e pererecas ( em geral, terrestres), salamandras (terrestres ou de água doce) e cecílias ou cobras-cegas (encontrados em solo úmidos), foram os primeiros vertebrados a ocupar o ambiente terrestre, principalmente graças á presença de pulmões e de dois pares de patas (ou pernas) , mais ainda são dependentes da água ( daí o nome do grupo: anfi = duplo; bio= vida), sobretudo em relação a reprodução com uma larva aquática, chamada de girino.
Em geral a pele é lisa, sem escamas, mantida úmida graças a glândulas mucosas, assim ela tem o papel importante na respiração do animal adulto. Presa na extremidade anterior da boca, a língua é usada na captura de insetos e outras presas, a cavidade nasal comunica-se com a bucal através das coanas, o que permite a entrada de ar mesmo com a boca fechada. Muitos possuem glândulas paratóides, que se abrem nos lados da cabeça, atrás dos olhos e liberam veneno quando conmprimidas.
A fecundação geralmente é externa. O macho abraça a fêmea e, á medida que ela elimina os óvulos, ele lança os espermatozóides. Do ovo forma-se o girino, larva com cauda, sem pernas e de respiração branquial. Ele evolui para o estado adulto passando por metamorfoses, que no caso dos sapos implicam a regressão da cauda e das brânquias e o desenvolvimento das pernas e dos pulmões.
Os anfíbios são divididos em 3 ordens:
Anura: ( anuros, sapos, rãs e pererecas) possuem pernas, mas não cauda.
Urodela: (urodelos, salamandras e tritões) possuem pernas e caudas ( em algumas espécies de salamandras, a larva chamada de axolote, não termina a metamorfose e forma um indivíduo sexualmente maduro.
Gymnophiona (gymnofionos ou apodes; cecílias) apresentam corpo alongado e sem pernas.


  

 

 





INFORMAÇÕES:
SAPO-DE-FLORESTA
Rhinella ornata

Foto: Germano Woehl Jr.
Local: Corupá - SC
Data: 18/01/2001



TAMANHO:
 83 mm (fêmea)

OCORRÊNCIA: Serra do mar e litoral da região sul e sudeste

ESTRATÉGIA DE REPRODUÇÃO: Desova em lagoas temporárias e permanentes. Os ovos ficam protegidos num cordão de gel com alguns metros de comprimento que é enrolado na vegetação aquática.

Repare também a diferença da desova do sapo comum (Rhinella icterica) onde os ovos estão em fileira dupla, enquanto na desova deste os ovos estão em fileira única.

Ao contrário do sapo-comum, esta espécie de sapo não é muito comum em áreas urbanas, ele costuma viver no meio da floresta sobre as folhas caídas em decomposição. Sua coloração confunde-se com este ambiente. É possível encontrá-los próximos de residências rurais ou postes com lâmpadas quanto há áreas com floresta nas imediações. Nestes casos eles adquirem o hábito de capturarem insetos atraídos pela luz, como faz o sapo-comum (Rhinella icterica).
 Ele é bem mais arisco do que o sapo-comum. Na época de procriação, agosto e setembro, eles se dirigem para as lagoas e neste período tornam-se presas fáceis para seus predadores naturais, sobretudo para os morcegos. Os desmatamentos são responsáveis pelo declínio de sua população.

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